Hoje dá para colocar um site no ar em uma tarde. Plataformas de arrastar e soltar, modelos prontos e ferramentas de IA que criam sites prometem exatamente isso, e entregam. A pergunta certa não é se dá para fazer sozinho. Dá. A pergunta é o que esse site vai fazer pela empresa depois que estiver no ar.
Para algumas empresas, o caminho do faça você mesmo é o mais sensato. Para outras, ele sai caro de um jeito que não aparece em nenhuma fatura. Este texto ajuda a descobrir em qual dos dois grupos a sua empresa está.
Vale a pena criar o site sozinho?
Vale, em vários casos. Se você está começando um negócio e ainda testa o que vende e para quem, gastar pouco com o site é uma decisão inteligente. O mesmo vale para o profissional autônomo que precisa de uma página com serviços e contato, para quem quer um portfólio pessoal e para quem tem um orçamento mínimo e precisa aparecer no Google de algum jeito.
Nesses casos, o site cumpre o papel de existir. Ninguém vai fechar um contrato grande com base nele, e está tudo bem. Um modelo pronto bem escolhido resolve, e o dinheiro que sobra rende mais aplicado no próprio negócio.
O cenário muda quando a empresa já tem anos de mercado, vende para outras empresas, trabalha com pedidos de valor alto e atende um comprador que pesquisa bastante antes de pegar o telefone. Aí o site deixa de ser cartão de visita e passa a fazer parte da venda. É nesse ponto que o barato começa a custar.
Por que o site pesa mais para quem vende para outras empresas
O comprador de uma indústria, de uma distribuidora ou de uma construtora não liga para o primeiro fornecedor que aparece. Ele pesquisa, compara, conversa com colegas e só depois entra em contato. Uma pesquisa da 6sense, de 2024, mostrou que o comprador B2B (o que compra em nome de uma empresa) só procura o fornecedor quando já percorreu cerca de 70% da decisão. E 8 em cada 10 já chegam com um favorito.
Na prática, boa parte da escolha acontece sem você saber. O comprador abre o seu site, abre o do concorrente e forma uma opinião. Se não encontra o que precisa, não manda e-mail perguntando. Segue para o próximo da lista.
Esse comprador também quer depender cada vez menos de vendedor. Segundo o Gartner, em 2025, 61% dos compradores B2B preferem comprar sem falar com um vendedor. Para esse público, o site é o vendedor que trabalha antes do vendedor de verdade.
O que muda no negócio quando o site é feito sem especialista
A diferença entre os dois caminhos raramente está no visual. Hoje até um site montado em uma tarde fica bonito. A diferença está no que acontece com o negócio a partir dele.
O comprador descarta o fornecedor sem avisar. Um levantamento da Sana Commerce, de 2025, mostrou que 85% dos compradores B2B se frustram comprando online por falta de informação sobre produto, prazo e preço. E 75% trocariam de fornecedor por uma experiência online melhor. Um modelo pronto é pensado para servir a qualquer empresa, então raramente tem lugar para o que o seu comprador precisa ver: linhas de produto, especificações, capacidade de entrega, regiões atendidas, certificações.
O site não mostra o porte real da empresa. Uma indústria com décadas de mercado, estrutura própria e clientes em vários estados pode parecer, na internet, igual a uma empresa aberta no mês passado. Para quem compra em volume, isso gera dúvida. E quem tem dúvida não liga. Procura outro.
O pedido de orçamento se perde. Formulário que cai no spam, que vai para o e-mail de alguém que saiu da empresa ou que não pergunta o que o comercial precisa saber para responder. Cada pedido perdido é uma venda que você nem soube que existiu.
A informação fica desatualizada. Telefone antigo, produto descontinuado, foto da fábrica de dez anos atrás. Quando o site é montado às pressas, ninguém pensa em como ele vai ser mantido. Ele envelhece rápido e passa a falar de uma empresa que já não existe.
O site não funciona bem no celular. Muita gente pesquisa fornecedor pelo celular, entre uma reunião e outra. Página lenta e botão difícil de tocar custam caro. Um estudo da Deloitte para o Google, de 2020, mostrou que deixar o site 0,1 segundo mais rápido no celular aumentou em 21,6% os formulários enviados em sites feitos para gerar contato. Um décimo de segundo.
Qualquer mudança depende de alguém. Muitas vezes o site foi feito pelo sobrinho, por um funcionário que entendia um pouco do assunto ou pelo próprio dono, em um fim de semana. Quando essa pessoa não está disponível, o site trava. Trocar um telefone vira um projeto.
Quanto custa um site de verdade
Quando se comparam os dois caminhos, a conta costuma ficar na mensalidade da plataforma contra o valor do projeto. Essa comparação esconde quase tudo. O custo real tem pelo menos quatro partes.
O tempo do dono. Um site bom exige textos, imagens, organização das páginas e teste dos formulários. Para quem dirige uma empresa, cada hora nisso é uma hora fora da gestão, do comercial e da operação. É o recurso mais caro da empresa usado na tarefa errada.
As oportunidades perdidas. É o custo que ninguém vê. Se o comprador forma opinião antes de ligar e troca de fornecedor por uma experiência online ruim, cada visita que vai embora é um negócio que poderia ter sido seu. Não aparece em relatório nenhum, mas existe.
O retrabalho. O site feito às pressas raramente fica pronto de uma vez. Vai sendo remendado: uma página aqui, um ajuste ali, uma correção no celular depois. Somadas, essas horas e pequenas contratações muitas vezes passam do valor que se queria economizar.
Quanto tempo o site dura. Refazer site é mais comum do que parece. Nos EUA, uma pesquisa da Clutch, de 2025, mostrou que 81% das pequenas empresas já refizeram o site pelo menos uma vez. Um site sem estrutura pensada para crescer tende a ser refeito mais cedo. Um site planejado a partir do negócio recebe novas linhas de produto, novas unidades e novas páginas sem começar do zero.
Comparativo: fazer sozinho ou contratar um especialista
| Critério | Fazer sozinho | Contratar um especialista |
|---|---|---|
| Investimento inicial | Baixo | Maior, tratado como investimento |
| Tempo do dono | Alto: textos, imagens, testes e ajustes | Baixo: participa das decisões, não da execução |
| Porte da empresa | Limitado ao que o modelo pronto permite | Construído a partir do que a empresa é |
| Informação para o comprador | Depende do que o dono lembrar de colocar | Planejada a partir de como o cliente compra |
| Pedidos de orçamento | Formulário genérico, risco de se perder | Pensados para chegar a quem responde |
| Funcionar bem no celular | Varia conforme a plataforma e o cuidado | Parte do projeto desde o início |
| Atualização | Depende de quem montou | Painel para a própria equipe atualizar |
| Quando faz sentido | Começo, autônomo, portfólio, orçamento mínimo | Empresa consolidada, venda para empresas, pedidos de valor alto |
Quando contratar um especialista para o site da empresa
Se a sua empresa tem anos de mercado, vende para outras empresas e depende de pedidos de orçamento, o site já faz parte da venda. A questão é se ele está ajudando ou atrapalhando.
Alguns sinais de que chegou a hora: o comercial manda catálogo em PDF porque o site não mostra os produtos. Clientes antigos comentam que a empresa parece menor na internet. O site não é atualizado há anos porque ninguém sabe mexer. Os pedidos que chegam por ele são poucos ou chegam sem as informações necessárias para responder.
Estar bem na internet também é menos comum do que parece. A pesquisa TIC Empresas 2024, do Cetic.br, mostra que 53% das empresas brasileiras têm site, praticamente o mesmo de 2019 (54%). Ter um site é o mínimo. Ter um site que trabalha pela venda ainda é diferencial.
Um especialista não começa pelo visual. Começa pelo negócio: quem compra, o que essa pessoa precisa ver para confiar, o que o comercial precisa receber para responder rápido e quem vai manter o site atualizado. O design vem depois, para dar forma a essas respostas. É assim que a Stubborn trabalha nos projetos de site e sistemas, e o resultado está nos projetos já entregues para indústrias e empresas que vendem para outras empresas.
Perguntas frequentes
Ferramentas de IA que criam sites resolvem para uma empresa consolidada?
Resolvem a parte de colocar páginas no ar. Não resolvem o que dizer, para quem e em que ordem. Essas decisões vêm de conhecer o negócio e o comprador, e continuam sendo o que separa um site que vende de um site que apenas existe.
Dá para começar sozinho e contratar depois?
Dá, e para quem está começando é o caminho natural. Para uma empresa consolidada, o risco é o provisório virar permanente e o site passar anos mostrando uma empresa menor do que ela é.
Depois de pronto, vou depender do especialista para mudar tudo?
Não deveria. Um bom projeto entrega um painel para a sua equipe atualizar textos, produtos e notícias. O especialista entra quando a mudança é de estrutura, não para trocar um telefone.
Quanto tempo dura um site bem feito?
Depende de quanto ele foi pensado para crescer junto com a empresa. Um site com estrutura planejada recebe novas páginas e ajustes ao longo dos anos sem precisar ser refeito do zero.
A sua empresa se encaixa nesse perfil?
Se você reconheceu a sua empresa no perfil de quem já tem anos de mercado e vende para outras empresas, vale uma conversa. Sem compromisso e sem proposta pronta: conte o que você precisa, como o seu cliente compra e o que o site de hoje não está entregando. A partir daí fica mais fácil escolher o caminho certo, seja ele qual for.